Hemorroidas, os Mitos e Verdades

Mitos e Verdades sobre a Hemorroida | Endocard News
Mitos e Verdades sobre a Hemorroida | Endocard News

Hemorroidas, os mitos e verdades sobre o assunto. No Endocard News de hoje, o Dr. André Eduardo Nunes Ferrari, Especialista em Coloproctologia e cirurgia do Aparelho Digestivo, fala sobre esse assunto.

DOUTOR, O QUE SÃO HEMORROIDAS?

As hemorroidas ou hemorróides são vasos localizados no canal anal (região entre o reto e o ânus) e no ânus e fazem parte da anatomia normal do ser humano desde o seu nascimento. Ou seja, TODOS nós nascemos com hemorroidas. As hemorroidas são internas quando estão dentro do canal anal e externas, quando mais próximas ao ânus.

DOUTOR, ENTÃO QUANDO HÁ DOENÇA HEMORROIDÁRIA?

Quando estes vasos começam a provocar sintomas como “sair para fora”, sangramento, desconforto, dor ou coceira, dizemos então, que se trata da doença hemorroidária, isto é, a doença provocada pelas hemorroidas.As causas da doença hemorroidária ainda são obscuras.

O que sabemos é que existe um pequeno músculo que mantém os vasos hemorroidários suspensos dentro do canal anal. Quando existe um adoecimento ou envelhecimento deste músculo, ocorre sua frouxidão e as hemorroidas perdem sua sustentação e “caem” levando aos sintomas.

DOUTOR, QUAIS FATORES LEVAM À DOENÇA HEMORROIDÁRIA?

Alguns fatores são predisponentes, mas não causais, como a gravidez, a obesidade, a alimentação pobre em fibras e líquidos, a história familiar, o esforço evacuatório crônico. A pimenta por sua vez não causa hemorroidas, mas pode piorar os sintomas de qualquer doença anal, devido à irritação local que provoca.

O sexo anal também não provoca hemorroidas. Ficar muito tempo sentado ou andar de moto ou cavalo, também não são fatores que causam hemorroidas, mas podem gerar complicações como a trombose em hemorroidas externas.

DOUTOR, COMO É CLASSIFICADA A DOENÇA HEMORROIDÁRIA INTERNA E QUAIS SINTOMAS APRESENTAM?

A doença hemorroidária interna é classificada em quatro graus e o tratamento mais adequado depende desta graduação.
Grau 1: não sai para fora, apenas sangra;
Grau 2: sai para fora e retorna espontaneamente,podendo sangrar;
Grau 3: sai para fora e retorna com ajuda manual;
Grau 4: sai para fora e não retorna mesmo com ajuda manual.

Independente do grau, o sintoma mais frequente é o sangramento. Mesmo que o paciente não sinta algo “saindo para fora” e apresente sangramento, poderá ser doença hemorroidária. A dor é o mais comum dos sintomas e a trombose, que vem a ser a coagulação do sangue dentro do vaso hemorroidário.

O aparecimento de coceira (prurido) e de secreções ocorre em graus mais avançados da doença, quando as hemorroidas estão completamente para fora e não podem ser reduzidas.

Situações mais graves podem ocorrer como o pseudoestrangulamento, quando o mamilo hemorroidário sai e não volta, levando a interrupção do fluxo sanguíneo local, evoluindo para necrose e até gangrena. São situações dramáticas, não tão incomuns e que requerem medidas cirúrgicas de urgência.

DOUTOR, COMO É FEITO O DIAGNÓSTICO DESSAS DOENÇAS?

Inicialmente você deve procurar um médico especialista, de preferência um coloproctologista. Sabemos que a consulta com um coloproctologista é revestida de medos e mistérios.Então, após a coleta detalhada da história do paciente, o exame físico é parte obrigatória do atendimento em coloproctologia, pois só assim poderemos dar um diagnóstico adequado.

Dependendo da história familiar e da idade do paciente, realizamos também uma retossigmoidoscopia ou colonoscopia, a fim de se detectar outras possíveis causas graves de sangramento retal ou anal, que não puderam ser avaliadas pelo exame físico, tais como o câncer de intestino ou reto e/ou as doenças inflamatórias intestinais.

DOUTOR, E O TRATAMENTO, COMO É REALIZADO?

Após o correto diagnóstico, devemos dar início ao tratamento. O tratamento deverá ser clínico, inicialmente, em todos os graus da doença hemorroidária, apesar de sabermos que acima do 2° grau já não há uma boa resposta. Mudanças nos hábitos de vida e alimentares, com uma dieta rica em fibras e líquidos, exercícios físicos como caminhadas, evitar o papel higiênico e o esforço evacuatório, são as primeiras medidas a serem tomadas.

Algumas medicações venotônicas como a hesperidina auxiliam no alívio dos sintomas, mas não fazem com que as hemorroidas regridam. As pomadas são anestésicas geralmente e não devem ser usadas por mais de 10 dias por provocarem hipersensibilização local, levando posteriormente a um prurido (coceira) anal de difícil controle.Se não houver melhora após o tratamento clínico, existem opções não cirúrgicas para o tratamento da doença hemorroidária em fase inicial.

Os mais usados são a ligadura elástica e a foto coagulação com luz infravermelha. Ambos são procedimentos pouco dolorosos, feitos a nível ambulatorial (alta no mesmo dia) sem necessidade de anestesia ou sedação e com risco diminuído, mas não desprezível, de complicações.Apenas 10% a 20% das hemorroidas que se apresentam doentes necessitarão de cirurgia.

São aquelas hemorroidas que não responderam ao tratamento conservador inicial ou que já se apresentam em fases mais avançadas (graus 3 ou 4).

DOUTOR, NESSES CASOS, COMO É FEITA A CIRURGIA?

A cirurgia poderá ser feita a moda antiga com a ressecção, aberta ou fechada,dependendo da escolha do cirurgião, dos mamilos hemorroidários doentes ou através do uso do grampeador (PPH). Esta última técnica foi desenvolvida há mais ou menos 15 anos, pelo coloproctologista italiano Antonio Longo e trata fisiologicamente o principal problema da doença hemorroidária, que é o prolapso. Faz uso de um aparelho, que ao mesmo tempo corta e sutura, com pequenos grampos, o tecido flácido e excedente do reto, fazendo com que as hemorroidas sejam novamente recolocadas para dentro do canal anal.

Praticamente não há dor no pós-operatório e não há cicatrizes. Hoje em dia, é o procedimento de escolha para o tratamento da doença hemorroidária avançada, com algumas exceções, como por exemplo, as hemorroidas externas. Entretanto, não se ressecam os vasos hemorroidários doentes, apenas a mucosa do reto prolapsada, portanto,a doença poderá voltar depois de alguns anos.

DOUTOR, ALGUM CONSELHO PARA QUEM APRESENTAR ALGUM SANGRAMENTO ANAL?

O mais importante é sempre que se você apresentar qualquer tipo de sintoma anal, não perder tempo e procurar um especialista. Afinal, sangramento não é um sinal exclusivo de doença hemorroidária. Jamais se automediquem, pois a maioria destas pomadas vendidas para hemorroidas tem efeito paliativo momentâneo, não resolvendo definitivamente o problema.
Boa saúde para todos!

Muito obrigada Dr. André, pelos esclarecimentos de grande importância e serventia, e também pela participação no Endocard News!!!

Dr. André Eduardo Nunes Ferrari
Especialista em Coloproctologia e Cirurgia do Aparelho Digestivo
CRM nº 101363

Ele faz parte do corpo clínico Endocard. Agendem já sua consulta!

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